terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cidade do Cabo





Depois de Joanesburgo, a Cidade do Cabo é a cidade mais populosa da Africa do Sul. É lá que está o parlamento e isso a torna a capital legislativa do país. Ela também é a capital da província do Cabo Ocidental.  A cidade é famosa por seu porto, seu cenário natural no Reino Floral do Cabo, e pelos  conhecidos marcos como a Montanha da Mesa e o Cabo da Boa Esperança. 
Localizada nas margens da Baía da Mesa,  a Cidade do Cabo foi primeiro desenvolvida pela Companhia Holandesa das Índias  Orientais como uma estação de abastecimento para navios holandeses navegando em direção ao leste da África, India, e Oriente. Em 1652,  abrigou o primeiro estabelecimento permanente europeu da Africa do Sul.
Hoje em dia, a Cidade do Cabo é umas das cidades mais multi- culturais do mundo, refletindo seu papel de principal destino para imigrantes e expatriados da Africa do Sul.
A cidade foi nomeada Capital Mundial de Design de 2014 pelo Conselho Internacional de Sociedades de Desenho Industrial e o melhor lugar do mundo para se visitar pelo New York Times.

Já havia visitado a Cidade do Cabo em 2003, mas dessa vez resolvi vê-la através da lente da câmera. Contratei um tour fotográfico para explorar a região. Toda a minha viagem fotográfica pela costa oeste foi organizada por Christian Boix, da Africa Geographic Travel. 



Me hospedo no Commodore Hotel, decorado com motivos navais.








O hotel fica perto do V&A Waterfront  aos pés da Montanha da Mesa









O V&A é destino certo para o lazer e abriga restaurantes,  shoppings e apresentações de musica africana.













No dia seguinte saio cedo. O tour é a pé e começa nos Jardins da Companhia.  Os jardins eram a fonte de frutas e vegetais para os marinheiros com escorbuto que navegavam pelo Cabo.











No lago, a mamãe ganso



                                                                                                  Egyptian Goose





E o gansinho









Muitos gansos egípcios no lago










É feriado nacional. Dia 24 de setembro é o Dia da Herança (Heritage Day). Nesse dia os sul africanos são encorajados e celebrar sua cultura e a diversidade de suas crenças e tradições no amplo contexto de que a nação pertence a todos.






























Muitas pessoas assistem, ou pelo menos tentam




A moça comemora a caráter. Atente para o detalhe da lua e estrela de ouro nos dentes











 Sorriso melhor não há










Primeira vez que vejo um esquilo albino













Saímos do jardim e vamos explorar o Distrito Comercial Central. A Cidade do Cabo tem uma rica historia arquitetônica e os edifícios do estilo art deco são os mais preservados do mundo.O fotógrafo Jaco Beukman me conta um pouco da historia e me guia fotograficamente.







Mama Africa











 Não resisto e entro nas lindas lojas de artigos africanos. Adoro as peças e os tecidos coloridos. É claro que adquiro alguns…












Adorei a maquina de costura









Passamos pelo mercado das flores e Jaco me apresenta às próteas, espécies de fymbos endêmicos da costa oeste da Africa do Sul. A Cidade do Cabo tem um dos maiores níveis de biodiversidade de qualquer área equivalente do mundo. As áreas protegidas são World Heritage Site, ou seja, Patrimônio da Humanidade,  e estima-se que 2,200 espécies de plantas estão confinadas na Montanha da Mesa - mais espécies do que em toda a Grã Bretanha com 1200 espécies de plantas sendo 67 delas endêmicas. Muitas dessas espécies, incluindo vários tipos de próteas, são endêmicas da montanha e não são encontradas em nenhum outro lugar no mundo. O principal motivo dessa enorme diversidade de espécies é a localização única no ponto convergente de vários tipos de solo e micro-climas.





A Prótea Rei é o simbolo da Africa do Sul








A Prótea Rainha












Deixamos o mercado e rumamos  para a bairro de  Bo Kaap, antes Cape Malay, que preserva a cultura muçulmana. Muito dos habitantes do bairro malaio são descendentes de indonésios capturados e escravizados pela Companhia Holandesa das Índias Orientais nos séculos 17 e 18.
Bo Kaap é tradicionalmente multicultural, rico em historia, e conhecido por suas casas coloridas. É lá que vou ter aula de culinária Malay














































Faldela Tolker me recebe na cozinha de sua casa roxa. Boa de papo, conta que em sua viagem à França, se aborreceu muito com a grosseria francesa. Muito amável, comenta que não entende o motivo de tanto mal humor. Compartilho experiências similares nas minhas viagens à Cidade da Luz.







Ela nos recebe com a bebida não alcóolica faloosa. A cor assusta mas é uma delícia! 








E começa a aula! Cozinhando Com Amor! Cooking with Love 







Jaco participa






Os temperos. Faldela explica minuciosamente a função de cada um








A folha de curry é bom para TPM e ressaca, sabiam?






Massa pronta para samosas. Pena que não existe aqui no Brasil…
 A marca é Ali Babá





Faldela me ensina como dobrar uma samosa






Os Chili Bites sendo feitos! Faldela explica que no final do almoço ela servirá um chá para amenizar os efeitos da fritura. Aliás, tomei gosto por chá na Africa do Sul. É cada um melhor que o outro. O rooibos tem efeito anti oxidante. Vim com a mala cheia. No aeroporto de Joanesburgo pode se encontrar um rooibos orgânico com diversas misturas. Como o Rio de Janeiro é quente, faço chá gelado com limão. Uma delícia! 








Chili bites e samosas prontos!








Absolutamente maravilhoso! 







Dia seguinte o tour é pela Península do Cabo
O caminho que fazemos é o contrario do que fazem as empresas de turismo normais. O intuito é chegar no Cabo da Boa Esperança no final do dia e Chapman’s Peak no por do sol. Tudo para ter uma boa luz, porque afinal, é um tour fotográfico.












Começo pela praia de Muizenberg com suas casinhas de banho multi coloridas. Ponho meus filtros Lee para funcionar! Dá-lhe de Big Stopper 


























Depois vamos para Kalk Bay, cidade antiga cheia de antiquários, galerias, artistas e artesanato local. 











Encontro focas no mercado de peixes











Figuraça










Ando pelo pier. Vento gelado. A Cidade do Cabo pode ter varias estações em um só dia. É um teste para a saúde.

















Mas as focas não ligam para o frio









Muito pelo contrario 







Se divertem 







Kalk Bay é uma vila de pescadores considerada subúrbio da Cidade do Cabo. Ela fica entre o oceano e as escarpas das montanhas. A tradução literária do afrikans é baia do calcário . A linha ferroviária  que vai do Distrito Comercial Central da Cidade do Cabo à Simon’s Town  passa por Kalk Bay e tem trechos rente ao mar













Almoço em Simons Town. A comida é sempre uma delícia










Lindas as cidades da costa com sua arquitetura colonial holandesa 







E é no caminho entre elas que avisto minha primeira baleia! Setembro é o mês em que elas vem ter os seus bebês na costa oeste da Africa do Sul. Eu fui para essa região exatamente por isso



















Rumamos à praia de Boulder para visitar os pinguins africanos
No estacionamento, uma grata surpresa. Musica a Capella!

























A praia de Boulders fica aninhada numa enseada entre Simon’s Town e Cape Point e é famosa pela colônia dos pinguins africanos que hoje em dia prospera















Devido a pesca comercial pelágica de arrastão que reduziu drasticamente a dieta de anchovas e sardinhas dos pinguins africanos, em 1982 restavam apenas dois casais reprodutores.












Com o controle da pesca na Baía False, estima-se que seus números cheguem hoje a 2.200.










O pinguim africano é considerado uma espécie ameaçada de extinção. Em 1910 eram 1.5 milhões de pinguins.  No fim do século 20, só sobraram 10% . Seus ovos eram coletados sem controle para alimentar a população humana





Os pinguins podem nadar a uma velocidade de sete km por hora e ficar submersos por até dois minutos












Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ele menino que vem e que passa, num doce balanço, está vindo do mar….

















Como não voam, os pinguins fazem seus ninhos no chão













Os recém nascidos são cobertos por uma penugem que não é a prova d’agua. Durante trinta dias, seus pais vão ao mar pescar para alimentá-los.










Esfomeados...














Com sessenta dias a penugem é substituída por uma plumagem juvenil azul acizentada a prova d’agua e o pinguins já podem ir para o mar. Nessa idade eles são chamados de “baby blues”











Depois de dois anos, os pinguins mudam para a plumagem adulta preta e branca. Os Pinguins Africanos geralmente começam a se reproduzir aos quatro anos. Eles são monógamos e o casal divide a responsabilidade de incubar os ovos e alimentar os filhotes.


















Deixo os pinguins e parto para o Cabo da Boa Esperança. Ele fica dentro do Parque Nacional da Montanha da Mesa. Com habitats diversos, que vão desde montanhas rochosas até praias e mar aberto, o Cabo da Boa esperança abriga mais de 250 espécies de pássaros. Grandes animais são raros, mas existem zebras, elands, e outras variedades de antílopes. Sua localização no ponto estratégico entre duas principais correntes oceânicas assegura uma rica diversidade de vida marinha. Há diferença entre entre a vida marinha ao oeste de Cape Point e ao leste, devido as diferentes temperaturas do mar. 







                                                                                                              Cape Point







Cape Point é vertiginoso mas poderosamente belo











O farol











O Cabo da Boa Esperança é parte do Reino Floral do Cabo, o menor mas o mais rico dos seis reinos florais do mundo. São 1.100 espécies nativas das quais varias endêmicas, ou seja, só existem nesse lugar do mundo.











Do Cape Point se vê o Cabo da Boa Esperança












Um mapa para entender melhor















Situado na junção das massas de água mais contrastantes do planeta - a fria corrente de Benguela na costa oeste e a quente corrente de Agulhas na costa leste, o Cabo da Boa Esperança é popularmente visto como o encontro do oceano Atlântico e o Índico. Porém, geograficamente, os dois oceanos se encontram mais ao leste, no Parque Nacional de Agulhas.















O navegador português Bartolomeu Dias foi o primeiro europeu a contorná-lo, em 1488, demonstrando que era possível se chegar ao oriente por mar. Batizou o local de Cabo das Tormentas. Posteriormente, o rei D. João II chamou-o de Cabo da Boa Esperança, pois finalmente o caminho para a Índia pelos oceanos havia sido encontrado.








                                                              Cabo da Boa Esperança















É terminantemente proibido alimentar os babuínos então todo cuidado é pouco.























A população dos babuínos Chacma (Papio ursinus) está criticamente ameaçada no cabo. Isso se deve a perda de habitat, isolamento genético, e conflitos com humanos. Os babuínos do cabo foram eliminados do seu âmbito na Península do Cabo, e o segmento do Cabo da Boa Esperança no Parque Nacional da Montanha da Mesa proporciona um santuário para as tropas que vivem dentro de suas fronteiras. É uma segurança relativa pois muitos babuínos são mortos ao invadirem casas de cidades próximas procurando por comida. Frequentemente são atropelados e eletrocutados nos cabos de alta tensão. 
















Volto para a Cidade do Cabo pela estrada costeira que passa pelo Chapman’s Peak Drive.  A estrada sinuosa corta a imensa escarpa feita de granito e arenito que se transforma com a luz do sol poente. Torço para que o tempo melhore para poder tirar belas fotos do por do sol. Mas melhora só um pouquinho e aproveito a rápida janela nas nuvens para captar o dourado das pedras da costa.















Dia seguinte é dia de visitar a favela Imizamo Yethu. Na língua Xhosa, isso significa Nossa Luta. Ela se localiza no pitoresco subúrbio a beira mar de Hout Bay, na Cidade do Cabo. Seus habitantes são na maioria Xhosa vindos do leste mas há imigrantes vindos de toda a Africa, alguns ilegalmente. Os chineses também estão presentes. Estima-se que 30 mil pessoas vivam lá.

Jaco e eu entramos na favela com um guia local e começamos a fotografar



















As casas são de zinco


















Tudo muito colorido
















O suburbio é realmente pitoresco mas a favela é uma favela com problemas de agua, esgoto, etc.















As crianças, todas de rosa….













O centro comunitário












Cada matilha tem o seu território









O Centro de Artes Nelson Mandela















Será que eles tem o Iphone 6?















Saímos da favela e fomos visitar, bem ao lado, um projeto que usa sacos de chá reciclados para fazer todos os tipos de objetos de arte. A criadora  é inglesa e ao se mudar para Africa do Sul devido ao trabalho do marido, ficou pasma com a pobreza da Imizamo Yethu. Ela reuniu alguns artistas da favela , e criou a Original T Bag Designs. O ambiente de afeto, de determinação, cooperação, de dar e receber, de apoio e amizade, criou auto confiança, orgulho, responsabilidade, e perseverança na vida do pequeno time de pessoas que trabalham lá. Assim como em cada chá a folha é crucial para uma mistura perfeita, cada indivíduo no Original T-Bag Designs é indispensável para o negócio que acabou virando  uma família.


















Preparando os sacos de chá


















E a arte começa














































Esse artista emigrou do complicado Zimbabwe. Ele, segundo a fundadora, é um poço de criatividade. Ela tem que botar novos produtos em linha para dar vazão ao artista














Tudo feito com sacos de chá


















A fome aperta e vamos para a parte final do passeio, um almoço e uma prova de vinhos numa vinícola!























E vamos fotografando enquanto preparam a nossa mesa















É primavera e está tudo florido














Ah, os vinhos da Africa do Sul!



















Mesa posta. Temos um almoço maravilhoso, elevado pelos maravilhosos vinhos e conversas sobre nossa paixão pela Africa

















Antes de ir embora, uma ida ao banheiro. E que banheiro!


























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