ZIMBABWE
MATUSADONA
O Parque Nacional Matusadona recebe esse nome pelas colinas ondulantes de Matusadona que fazem parte de sua paisagem rica em água. Ladeado pelo lago Kariba, no norte, e por dois rios perenes, o Ume e o Sanyati, este parque remoto e acidentado é o primeiro no Zimbábue a cair sob o mandato de Parques Africanos. Proclamado Parque Nacional em 1975, já foi um reduto de conservação para elefantes africanos e rinocerontes negros e um destino turístico procurado. Mas, ao longo dos anos, os recursos financeiros diminuíram lentamente e a má gestão impactou a vida selvagem do parque. Redes de estradas e mão-de-obra limitadas deixaram algumas áreas totalmente sem patrulhamento, resultando em caça furtiva desenfreada que praticamente eliminou a população de rinocerontes negros e reduziu severamente a população de elefantes. Embora a vida selvagem de Matusadona tenha sofrido, felizmente sua integridade como uma paisagem selvagem permaneceu inalterada, proporcionando uma oportunidade excepcional para a restauração deste parque.
A paisagem exuberante, composta por colinas ondulantes que descem rapidamente para pradarias abruptamente planas, forma um habitat importante para uma grande diversidade de espécies de savanas e bosques. Além da impressionante diversidade de mais de 240 espécies de aves, ainda existe uma variedade saudável de espécies de mamíferos em Matusadona, incluindo leão, búfalo, elefante, waterbuck e impala. A costa do lago é guardada por uma floresta afogada de um quilômetro de largura e, quando combinada com a vegetação única do parque, oferece um potencial turístico considerável e único para o turismo fotográfico, pesca e outras atividades do lago e do parque.
Fico feliz em saber que o príncipe Harry da Inglaterra assumiu a administração do parque. Em 2017, o Duque de Sussex se tornou presidente da African Parks, um sinal de seu compromisso pessoal com a região.
O lago Kariba é consequência da construção da barragem de Kariba, no final dos anos 50. É o maior lago artificial do mundo em termos de volume, com cerca de 180 km3. Situa-se na fronteira entre Zâmbia e Zimbabwe, sobre o rio Zambezi. Os animais que cruzavam o rio durante as secas antes da construção da represa, já não o fazem mais. Sua rota migratória natural foi interrompida pelo alto nível das águas do Zambezi. Dois ecossistemas distintos foram então criados, um na Zambia (Lower Zambezi) e outro no Zimbabwe (Mana Pools).
O acesso terrestre é precário, por isso vamos de voadeira para a pousada, que fica numa área remota do parque. A travessia leva uma hora e meia.
Somos recebidos calorosamente no cais pelo dono da pousada.
Chegamos ao nosso destino, o belo Rhino Safari Camp.
Quando chego lá reencontro Rae Kokes, que estuda os leões de Matusadona. Eu a conheci há alguns anos e, como amo leões, essa moça cheia de tatuagens de leões pelo corpo me marcou profundamente. Lembro pensar: " Wow, que vida singular ela deve ter, vivendo no mato na companhia dos leões. Que bela vida pra ser vivida!" Me inspirei nessa cientista e finalmente tomei coragem de fazer tatuagens. A África agora está sob a minha pele e como sempre dentro do meu coração.
A pousada em si é uma aventura. Não há cercas e os animais, principalmente os elefantes, por lá perambulam.
Não há paredes e por isso a integração com a natureza é total.
Não se pode ir do bangalô à sede principal distraidamente. Toda a atenção é necessária pois você pode esbarrar num elefante no caminho.
Um rápido panorama do quarto:
Penteadeira
Sofá com vista para elefantes
Camas com vista de 360 graus para a natureza e refrescante brisa do lago.
Ah, o banheiro! Nada como um banho em meio da natureza selvagem!
O pendurador de toalhas é uma vértebra. Não sei de que animal, mas com certeza foi achado depois de muitos anos na mata.
Os bangalôs ficam entre a floresta e o lago, na passagem dos elefantes.
Meu bangalô visto da beira do lago.
Um elefante visto da minha varanda.
Hora para um rolé de jipe
Equipamentos a postos.
E lá vamos nós!
A paisagem é dramática.
A bela águia pescadora.
O Martim Pescador tem sucesso.
Um Rolieiro-de-peito-lilás
De volta à pousada, passo o tempo observando os bastidores. Os fogões são a lenha.
Os zimbabuanos são muito simpáticos e acolhedores.
O ferro de passar roupas é movido a carvão.
Em Matusadona, passeios de barco no final da tarde proporcionam ótimas oportunidades fotográficas.
O lago está tão calmo que o barco flutua.
‘Sundowner’, ritual obrigatório nessas partes do mundo.
Só nos resta um excelente jantar, após tão lindo espetáculo.
Dia seguinte de manhã cedo, vou escovar os dentes e encontro meu sabonete e pasta roídos.
Descubro que são esquilos.
Gosto de saber que os animais estão por todo lado!
Meu coração bate forte. Estou viva!
E o magnífico nascer do sol africano está sempre lá, me esperando, assim como a águia pescadora.













































































































































































