domingo, 8 de dezembro de 2019

MATUSADONA



                                                                       ZIMBABWE
                                MATUSADONA

  O Parque Nacional Matusadona recebe esse nome pelas colinas ondulantes de Matusadona que fazem parte de sua paisagem rica em água. Ladeado pelo lago Kariba, no norte, e por dois rios perenes, o Ume e o Sanyati, este parque remoto e acidentado é o primeiro no Zimbábue a cair sob o mandato de Parques Africanos. Proclamado Parque Nacional em 1975, já foi um reduto de conservação para elefantes africanos e rinocerontes negros e um destino turístico procurado. Mas, ao longo dos anos, os recursos financeiros diminuíram lentamente e a má gestão impactou a vida selvagem do parque. Redes de estradas e mão-de-obra limitadas deixaram algumas áreas totalmente sem patrulhamento, resultando em caça furtiva desenfreada que praticamente eliminou a população de rinocerontes negros e reduziu severamente a população de elefantes. Embora a vida selvagem de Matusadona tenha sofrido, felizmente sua integridade como uma paisagem selvagem permaneceu inalterada, proporcionando uma oportunidade excepcional para a restauração deste parque.
  A paisagem exuberante, composta por colinas ondulantes que descem rapidamente para pradarias abruptamente planas, forma um habitat importante para uma grande diversidade de espécies de savanas e bosques. Além da impressionante diversidade de mais de 240 espécies de aves, ainda existe uma variedade saudável de espécies de mamíferos em Matusadona, incluindo leão, búfalo, elefante, waterbuck e impala. A costa do lago é guardada por uma floresta afogada de um quilômetro de largura e, quando combinada com a vegetação única do parque, oferece um potencial turístico considerável e único para o turismo fotográfico, pesca e outras atividades do lago e do parque.
Fico feliz em saber que o príncipe Harry da Inglaterra assumiu a administração do parque. Em 2017, o Duque de Sussex se tornou presidente da African Parks, um sinal de seu compromisso pessoal com a região.







   O lago Kariba é consequência da construção da barragem de Kariba, no final dos anos 50. É o maior lago artificial do mundo em termos de volume, com cerca de 180 km3. Situa-se na fronteira entre Zâmbia e Zimbabwe, sobre o rio Zambezi. Os animais que cruzavam o rio durante as secas antes da construção da represa, já não o fazem mais. Sua rota migratória natural foi interrompida pelo alto nível das águas do Zambezi. Dois ecossistemas distintos foram então criados, um na Zambia (Lower Zambezi) e outro no Zimbabwe (Mana Pools). 




               







O acesso terrestre é precário, por isso vamos de voadeira para a pousada, que fica numa área remota do parque. A travessia leva uma hora e meia.















                  Somos recebidos calorosamente no cais pelo dono da pousada.




              


                       Chegamos ao nosso destino, o belo Rhino Safari Camp.






Quando chego lá reencontro Rae Kokes, que estuda os leões de Matusadona. Eu a conheci há alguns anos e, como amo leões, essa moça cheia de tatuagens de leões pelo corpo me marcou profundamente. Lembro pensar: " Wow, que vida singular ela deve ter, vivendo no mato na companhia dos leões. Que bela vida pra ser vivida!" Me inspirei nessa cientista e finalmente tomei coragem de fazer tatuagens. A África agora está sob a minha pele e como sempre dentro do meu coração. 









A pousada em si é uma aventura. Não há cercas e os animais, principalmente os elefantes, por lá perambulam.










Não há paredes e por isso a integração com a natureza é total.






 Não se pode ir do bangalô à sede principal distraidamente. Toda a atenção é necessária pois você pode esbarrar num elefante no caminho.








Um rápido panorama do quarto:









  
















Penteadeira 






Sofá com vista para elefantes








Camas com vista de 360 graus para a natureza e refrescante brisa do lago.





                  Ah, o banheiro! Nada como um banho em meio da natureza selvagem!















O pendurador de toalhas é uma vértebra. Não sei de que animal, mas com certeza foi achado depois de muitos anos na mata. 







          Os bangalôs ficam entre a floresta e o lago, na passagem dos elefantes.


                                 Meu bangalô visto da beira do lago.



    



Um elefante visto da minha varanda.









                                                 Hora para um rolé de jipe








                                                     Equipamentos a postos.







E lá vamos nós!










A paisagem é dramática.






























 A bela águia pescadora.













O Martim Pescador tem sucesso.





Um Rolieiro-de-peito-lilás







De volta à pousada, passo o tempo observando os bastidores. Os fogões são a lenha.











Os zimbabuanos são muito simpáticos e acolhedores.





O ferro de passar roupas é movido a carvão.














Em Matusadona, passeios de barco no final da tarde proporcionam ótimas oportunidades fotográficas.
























O lago está tão calmo que o barco flutua.









‘Sundowner’, ritual obrigatório nessas partes do mundo.









Só nos resta um excelente jantar, após tão lindo espetáculo.









Dia seguinte de manhã cedo, vou escovar os dentes e encontro meu sabonete e pasta roídos.

Descubro que são esquilos. 

Gosto de saber que os animais estão por todo lado!
Meu coração bate forte. Estou viva!










E o magnífico nascer do sol africano está sempre lá, me esperando, assim como a águia pescadora.










































































































quarta-feira, 18 de março de 2015

Lower Zambezi









O Parque Nacional Lower Zambezi fica no sudeste da Zambia,
na margem norte do rio Zambezi 

Era a reserva particular do presidente da Zambia, até ser declarado Parque Nacional em 1983, motivo pelo qual o parque se manteve protegido do turismo em massa e permaneceu sendo uma das ultimas áreas selvagens prístinas da África.

Na outra margem do rio Zambezi fica o Parque Nacional Mana Pools, no Zimbabwe













Os dois parques nacionais ficam na planície encharcada, cercada por montanhas. A área é um patrimônio da humanidade.
Sua localização é remota e o único acesso é por avião pequeno ou barco.

















Vinda da Cidade do Cabo, durmo em Johannesburgo, depois do meu encontro com as ‘gentis gigantes’.

Adoro o Aeroporto Oliver Tambo, em Johannesburgo; tem lojas maravilhosas,  tanto de decoração, artigos africanos, material para safari, livraria, temperos dos mais variados e exóticos etc.

Espia só esse sofá: sonho de consumo total. Aliás, tudo aí é sonho de consumo.

















Só não gosto da mania do sul africano de continuar vendendo peles de zebras e gazelas; e o pior é que o povo-sem-noção, compra…














Vôo pra Lusaka, capital da Zambia, e me dão um upgrade no hotel. 






Tomo uma cerveja local, como de costume, e me divirto com os mimos do quarto:












































Dia seguinte, vôo pro mato. Êba!!!








O avião é um Brittin Norman Islander, feito em 1971: 



















Co-piloto da aeronave: Ana Zinger.














Esperando a vez…
















Pista livre!














Ótima decolagem, e um piloto muito simpático…




















Meia hora de voo, e chegamos no Zambezi.





























Veja a aterrissagem… Uhuuuu!!!!!!!










Os que partem do Zambezi aguardam na sala de embarque (à sombra de uma árvore…):















Impossível não filmar ou tirar fotos: avião pequeno pousando em lugar selvagem, é sempre uma aventura.



















Matt, dublê de guia e gerente do acampamento, pega minhas malas enquanto espero no jipe:














Matt é um super-profissional, apaixonado pelo seu trabalho e pela vida selvagem; no caminho, vai me dando aulas: “os impalas adoram comer essa flor, e o leopardo, por sua vez, adora se esconder em cima da árvore. Flores e impalas formam uma combinação perfeita: na espreita, quando o leopardo vê uma oportunidade, dá o bote”.















Elefantes… Eu chego e já fico encantada com a beleza do lugar; é de tirar o fôlego.

















No caminho, encontramos um leão. É um dos irmãos que dominam esse território e, pelo jeito, rolou uma bela pancadaria com um rival… Mas não se preocupem: o poder de recuperação dos leões é impressionante (isso, eu acabo de ler num livro sobre esses magníficos seres que simbolizam a África).

















Um grupo de kudus: três fêmeas e um macho jovem. 



















Mais à frente, dois machos:














Matt conhece profundamente a região, e logo encontra outro leão:









                                                              His Majesty.









Passamos por um elefante que, ao que parece, não fica muito feliz com a nossa presença…




















Ele sacode vigorosamente sua cabeça:




















“Humanos, saiam daqui!”





















Eu compreendo bem essa antipatia que alguns elefantes tem por nós; há séculos matamos e destruímos suas famílias, causando profunda dor e tristeza em suas almas gentis.


Mas sei que quando um elefante realmente quer te matar, você não o ouve: ele aparece sorrateiramente do nada, com as orelhas grudadas para trás e a tromba enfiada entre as pernas dianteiras, te atropela e, finalizando, golpeia com suas presas de marfim.

Ou seja: esse elefante está exibindo um ataque falso. Ele quer deixar claro que o território é dele, e que nós não devemos nos aproximar. 

De tanto ver isso, eu já preparo a câmera. Dá ótimas fotos: ele quase parece um elefante voador! E ainda trombeteia.

Ok, figuraça: já estamos indo. Mensagem recebida.















Chegamos ao Anabezi Camp.


















A recepção:



















Babuínos passeiam no entorno: 






















Reparem nos detalhes da linda almofada:
















Área comum interna e externa, restaurante e piscina:

















Ao fundo, o que nos traz aqui: o  poderoso Zambezi.




















Um deck agradável…






















No caminho para a minha tenda, búfalos nas sombras das árvores. Caloooorrrr…



















Minha tenda:



















A sala:

















Tem frigobar sim, movido a gerador (ali, dentro do armário):




















O luxo do banheiro…
















Os aposentos…


















A varanda externa…





















Com piscina particular…



























Banheiro externo? Também temos…





























Tão linda era a tenda, que eu não resisti, e filmei:














Hora do almoço!













Opção vegetariana (deliciosa!):











Depois do almoço, um relax pouco antes do passeio da tarde













Um pouco à frente, animais vêm beber água… 









Depois do descanso, um passeio de jipe, e as belezas se revelam…




Mãe waterbuck, e filhote:










Três mocinhas waterbucks:














Ao que parece, esse impala quer impressionar suas fêmeas, e deixar bem claro para os outros machos que ele é o tal






























Um waterbuck macho:















 Uma zebra gorda solitária, um waterbuck… Esse lugar parece um bosque encantado.



















O esquivo bushbuck…










… não perde tempo, e corre. Tenho que ser rápida no gatilho!















O bosque encantado…


















Humildemente, reverencio.
Lembro das palavras do escritor moçambicano Mia Couto no livro A Confissão da Leoa
“ Um religioso sentimento de harmonia se instala em mim.”


















                                                             Red biled hornbill









Go Away Bird








Enfim, o sol se põe…










E a lua logo aparece:


















Com ela, os animais noturnos:





uma hiena pintada…
















e uma gineta…










Ginetas são felinos com hábitos noturnos. Solitários e polígamos, um macho pode se apropriar de um território que abrange diversas fêmeas. Se alimentam de pequenos vertebrados, invertebrados, frutas e néctar.









No dia seguinte, acordo cedo para mais um safari de jipe.








O amanhecer é lindo (que tal a vista da minha varanda?).













Linda luz…















Partimos, e logo em frente um babuíno em sentinela começa a latir:



















Os outros ficam espertos…














E então, todos latem!

















Há um predador por perto, esquivo e difícil de encontrar; normalmente, ele fica escondido no capim alto. Logo vemos um leve balançar de um mínimo galho de capim… sim, ele pode estar lá.

Ok, Ana Lúcia: paciência e perseverança nessa hora.


E somos gratificados com essa linda visão…





                                                                Leopardo!









É uma fêmea. Feito o contato (fotos!), deixamos ela em paz e seguimos em frente.













Impalas correm…













Impalas voam!
















Um belo macho vem em nossa direção. Bom, esse parece mais calmo…



















Natureza selvagem:


















A mamãe nos checa…















Até que relaxa, e dá de mamar:



















Enquanto dois búfalos machos disputam quem é o mais forte, os pássaros ox peckers fazem suas apostas…

















O mesmo se dá entre dois jovens elefantes machos:






































Mas nem tudo é batalha: o amor está no ar!








                                                     A jaçanã africana.














O sol sobe, o dia esquenta, e fico com inveja do elefante…



























Que enfim se levanta, e sai refrescado…

















Apesar da tranquilidade dos babuínos e do calor…



















…Matt encontra um outro leopardo! Este agora é um macho;
esquivo, rapidamente ele sobe na árvore.





















Uma beleza de criatura…
















Antes de voltar para o acampamento, tomamos um café…















…e aproveitamos para fotografar os lindos white headed bee eaters:
























No caminho de volta, um side stripped jackal… Nunca tinha visto um.

















Depois de um leve almoço, vou relaxar na minha tenda. O calor é tanto que só consigo ficar dentro d’agua. Bendita piscina! Durante a noite devo ter mergulhado umas quatro vezes para me refrescar! A agua é fresca, quase gelada. Uma benção para um calor que chega aos 50 graus!


















Aprecio a vista. Tenho pena dos babuínos e dos impalas que vejo rumando para a água, nesse calor!


















Entre mergulho e outro, uma foto!















Lindos pássaros… E todos abrindo o bico de calor!







  White Crested Helmut Shrike













                                           

                                                         Meeve's Starling









A tarde, o safari é de barco:















No caminho, uma esquadra de hipopótamos…















Um goliath heron, no seu ninho…





















                                                              Grey Heron










O elefante nos enxota!












A águia pescadora…















…se lança:
















Para se refrescar, uma manada de fêmeas corre trombeteando para a beira do rio…
















Jogam lama no corpo…



































E bebem água.


















Elefantes são fofos e engraçados…

















Carinhosos e protetores com seus filhotes…


















Continuamos rio abaixo…




















Soslaio:




















O rio Zambezi é cheio de hipopótamos. A noite, no acampamento, ouve-se os sons da hippo party




















A pescaria do Golias:



















É estação de procriação dos carmine bee eaters (o ‘comedor de abelhas carmim’).





















Seus ninhos ficam nos barrancos na beira do Zambezi…



















É um alvoroço!
















































































Na volta, um elefante atravessa o rio. Eu continuo com inveja…























































Dois machos se cumprimentam:
















E outro quer voar…



















Pra variar, um lindo por do sol…
















































Hummmm… Que tal?


















De volta ao acampamento…





















Um delicioso jantar…



















Acompanhado pela lua cheia…















E pelos mágicos sons da noite africana. Mais uma vez, durmo feliz.












Revisão: José Otávio Ferreira da Costa